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Aula 03

Substituições: equações homogêneas e a translação dos eixos

Os problemas 20 a 23 de §1.4 — quatro equações que não são separáveis como estão, e as duas trocas de variável que as tornam separáveis: y = tv quando só aparece o quociente y/t, e uma translação da origem quando o que atrapalha são constantes soltas.

Exercícios
4
Enunciados
Braun §1.4, p. 26 (PDF: p. 42)

Nenhum dos quatro problemas desta lista é separável do jeito que está escrito. E ainda assim eles são exercícios da seção das separáveis, porque é isso que a lista quer ensinar: uma troca de variável bem escolhida transforma numa separável uma equação que não era. São dois mecanismos, e os quatro enunciados os combinam.

Primeiro mecanismo: equações homogêneas. É o exercício 13 da mesma seção. Se o lado direito depende de tt e yy apenas através do quociente y/ty/t,

dydt=f ⁣(yt),\frac{dy}{dt} = f\!\left(\frac{y}{t}\right),

a substituição y=tvy = tv — isto é, v=y/tv = y/t — produz y=v+tvy' = v + t\,v' e portanto

tdvdt=f(v)v,ou sejadvf(v)v=dtt,t\,\frac{dv}{dt} = f(v) - v, \qquad\text{ou seja}\qquad \frac{dv}{f(v) - v} = \frac{dt}{t},

que é separável. A razão de fundo é que f(y/t)f(y/t) não muda quando se multiplicam tt e yy pelo mesmo fator: o campo de direções é constante ao longo de cada reta que passa pela origem, e vv é justamente o rótulo dessa reta.

Segundo mecanismo: transladar a origem. Considere

dydt=at+by+mct+dy+n.\frac{dy}{dt} = \frac{at + by + m}{ct + dy + n}.

Sem mm e nn ela seria homogênea, e o primeiro mecanismo resolveria. Com eles, a invariância por escala se perde — mas repare no que mm e nn são geometricamente: numerador e denominador se anulam sobre duas retas, e as constantes só dizem que essas retas não passam pela origem. A substituição t=T+ht = T + h, y=Y+ky = Y + k é uma translação dos eixos, e escolher (h,k)(h,k) como o ponto de encontro das duas retas faz as constantes sumirem. Vista do novo centro, a equação é homogênea.

Quando não há ponto de encontro. As retas podem ser paralelas — é exatamente o caso adbc=0ad - bc = 0 —, e aí não existe (h,k)(h,k) que sirva: a translação não funciona. Mas então numerador e denominador são funções da mesma combinação v=at+byv = at + by, e é ela a variável certa. O exercício 21 organiza os dois casos, e o 23 é um exemplar concreto do paralelo.

Assim: 20 e 22 são o caso genérico (retas concorrentes, translação seguida de homogênea), 21 é o teorema por trás dos dois, e 23 é o caso degenerado.

O enunciado é do livro; a resolução é nossa. Tente antes de abrir — e confira 21 e 23 na p. 557 do Braun; os pares não têm resposta no livro.

  1. intermediáriotranslação dos eixosBraun §1.4, nº 20

    Considere a equação diferencial

    dydt=t+y+1ty+3.()\frac{dy}{dt} = \frac{t + y + 1}{t - y + 3}. \qquad (*)

    Saberíamos resolver esta equação se as constantes 11 e 33 não estivessem presentes. Para eliminá-las, fazemos a substituição t=T+ht = T + h, y=Y+ky = Y + k.

    (a) Determine hh e kk de modo que ()(*) possa ser escrita na forma dYdT=T+YTY\dfrac{dY}{dT} = \dfrac{T + Y}{T - Y}.

    (b) Encontre a solução geral de ()(*). (Veja o Exercício 18.)

    Dica

    Em (a), substitua e imponha que as constantes que sobram sejam nulas — são duas equações lineares em hh e kk. Em (b), a equação reduzida é homogênea: use V=Y/TV = Y/T.

    Resolução

    Por que a substituição não muda a derivada. Como hh e kk são constantes, dT=dtdT = dt e dY=dydY = dy, de modo que dYdT=dydt\frac{dY}{dT} = \frac{dy}{dt}. A troca é uma translação dos eixos, e a inclinação da curva em cada ponto é a mesma vista de qualquer origem.

    (a) Determinação de hh e kk. Substituindo t=T+ht = T+h e y=Y+ky = Y+k:

    dYdT=T+Y+(h+k+1)TY+(hk+3).\frac{dY}{dT} = \frac{T + Y + (h + k + 1)}{T - Y + (h - k + 3)}.

    Para chegar à forma pedida basta anular as duas constantes:

    {h+k+1=0hk+3=0h=2,k=1.\begin{cases} h + k + 1 = 0 \\ h - k + 3 = 0 \end{cases} \quad\Longrightarrow\quad h = -2, \quad k = 1.

    Ou seja, T=t+2T = t + 2 e Y=y1Y = y - 1: a nova origem está em (t,y)=(2,1)(t,y) = (-2,\,1), que é precisamente onde as retas t+y+1=0t + y + 1 = 0 e ty+3=0t - y + 3 = 0 se cruzam. Não é coincidência — é o conteúdo do exercício 21.

    (b) A equação reduzida. Dividindo numerador e denominador por TT,

    dYdT=1+Y/T1Y/T,\frac{dY}{dT} = \frac{1 + Y/T}{1 - Y/T},

    que só depende de V=Y/TV = Y/T: é homogênea. Com Y=TVY = TV e Y=V+TVY' = V + TV',

    TdVdT=1+V1VV=(1+V)V(1V)1V=1+V21V.T\frac{dV}{dT} = \frac{1+V}{1-V} - V = \frac{(1+V) - V(1-V)}{1-V} = \frac{1 + V^2}{1 - V}.

    Separação e integração. Como 1+V211 + V^2 \geq 1, não se perde solução ao dividir:

    1V1+V2dV=dTTarctanV12ln(1+V2)=lnT+c.\int \frac{1-V}{1+V^2}\,dV = \int \frac{dT}{T} \quad\Longrightarrow\quad \arctan V - \frac{1}{2}\ln(1+V^2) = \ln|T| + c.

    Volta a TT e YY. Com V=Y/TV = Y/T, os dois termos logarítmicos se juntam:

    12ln ⁣(1+Y2T2)+lnT=12ln ⁣T2+Y2T2+lnT=12ln(T2+Y2),\frac{1}{2}\ln\!\left(1 + \frac{Y^2}{T^2}\right) + \ln|T| = \frac{1}{2}\ln\!\frac{T^2+Y^2}{T^2} + \ln|T| = \frac{1}{2}\ln\bigl(T^2 + Y^2\bigr),

    de modo que a solução geral, em forma implícita, é

    arctan ⁣YT=12ln(T2+Y2)+c.\arctan\!\frac{Y}{T} = \frac{1}{2}\ln\bigl(T^2 + Y^2\bigr) + c.

    Volta às variáveis originais. Com T=t+2T = t+2 e Y=y1Y = y-1,

      arctan ⁣(y1t+2)=12ln ⁣[(t+2)2+(y1)2]+c  \boxed{\; \arctan\!\left(\frac{y-1}{t+2}\right) = \frac{1}{2}\ln\!\left[(t+2)^2 + (y-1)^2\right] + c \;}

    O que essas curvas são. Em coordenadas polares centradas na nova origem — T=rcosθT = r\cos\theta, Y=rsinθY = r\sin\theta — a igualdade acima diz θ=lnr+c\theta = \ln r + c, isto é,

    r=keθ,k>0:r = k\,e^{\theta}, \qquad k > 0:

    espirais logarítmicas em torno do ponto (2,1)(-2,\,1). Escrita assim, a resposta não tem o defeito do arctan\arctan, que só distingue direções a menos de π\pi e obriga a tratar T>0T>0 e T<0T<0 em separado.

    Verificação. Para r=keθr = ke^{\theta} vale drdθ=r\frac{dr}{d\theta} = r, e

    dYdT=rsinθ+rcosθrcosθrsinθ=sinθ+cosθcosθsinθ=Y+TTY.  \frac{dY}{dT} = \frac{r'\sin\theta + r\cos\theta}{r'\cos\theta - r\sin\theta} = \frac{\sin\theta + \cos\theta}{\cos\theta - \sin\theta} = \frac{Y + T}{T - Y}. \;\checkmark

    Sobre o ponto (2,1)(-2,1). Ali numerador e denominador se anulam ao mesmo tempo: a equação assume a forma 0/00/0 e não define direção alguma. É o centro das espirais, e nenhuma solução passa por ele — todas apenas se enrolam em sua volta, com r0r \to 0 quando θ\theta \to -\infty.

  2. avançadoo teorema por trás da substituiçãoBraun §1.4, nº 21

    (a) Prove que a equação diferencial

    dydt=at+by+mct+dy+n,\frac{dy}{dt} = \frac{at + by + m}{ct + dy + n},

    onde aa, bb, cc, dd, mm e nn são constantes, sempre pode ser reduzida a dydt=at+byct+dy\dfrac{dy}{dt} = \dfrac{at+by}{ct+dy} se adbc0ad - bc \neq 0.

    (b) Resolva a equação acima no caso especial em que ad=bcad = bc.

    Dica

    Em (a), a substituição do exercício 20 leva a um sistema linear 2×22\times 2 em hh e kk cujo determinante é exatamente adbcad-bc. Em (b), a hipótese diz que (c,d)(c,d) é múltiplo de (a,b)(a,b) — então v=at+byv = at+by é a única variável que aparece.

    Resolução

    (a) O caso adbc0ad - bc \neq 0. Com t=T+ht = T+h, y=Y+ky = Y+k, e lembrando que dYdT=dydt\frac{dY}{dT} = \frac{dy}{dt},

    dYdT=aT+bY+(ah+bk+m)cT+dY+(ch+dk+n).\frac{dY}{dT} = \frac{aT + bY + (ah + bk + m)}{cT + dY + (ch + dk + n)}.

    A forma desejada se obtém exigindo que as duas constantes se anulem:

    {ah+bk=mch+dk=n.\begin{cases} ah + bk = -m \\ ch + dk = -n. \end{cases}

    Isto é um sistema linear em (h,k)(h,k) com matriz (abcd)\begin{pmatrix} a & b \\ c & d\end{pmatrix} e determinante adbcad - bc. Sendo ele não nulo, o sistema tem solução única — e, por Cramer,

    h=bndmadbc,k=cmanadbc.h = \frac{bn - dm}{ad - bc}, \qquad k = \frac{cm - an}{ad - bc}.

    Feita essa translação, a equação fica dYdT=aT+bYcT+dY\frac{dY}{dT} = \frac{aT+bY}{cT+dY}, como se queria. E ela agora é homogênea: dividindo por TT em cima e embaixo, o lado direito é a+b(Y/T)c+d(Y/T)\frac{a + b(Y/T)}{c + d(Y/T)}, função só de Y/TY/T. Pelo exercício 13, é separável.

    Leitura geométrica. adbc0ad - bc \neq 0 é exatamente a condição de as retas at+by+m=0at+by+m=0 e ct+dy+n=0ct+dy+n=0 não serem paralelas; e o par (h,k)(h,k) dado por Cramer é o ponto onde elas se cruzam. A demonstração é a versão algébrica de “mude a origem para a interseção”.

    (b) O caso ad=bcad = bc. Agora as duas retas são paralelas, não há ponto de encontro, e a translação não tem o que fazer. Mas a mesma hipótese dá o substituto: adbc=0ad - bc = 0 diz que os vetores (a,b)(a,b) e (c,d)(c,d) são proporcionais, digamos (c,d)=λ(a,b)(c,d) = \lambda(a,b), e portanto

    ct+dy=λ(at+by).ct + dy = \lambda\,(at + by).

    Numerador e denominador dependem de tt e yy só através de v=at+byv = at + by. Essa é a variável certa. De v=a+byv' = a + b\,y',

    dvdt=a+bv+mλv+n,\frac{dv}{dt} = a + b\,\frac{v + m}{\lambda v + n},

    que é separável — não sobrou nenhum tt ou yy solto do lado direito. (Se b=0b = 0, a hipótese força ad=0ad = 0; com a0a \neq 0 isso dá d=0d = 0 e a equação y=at+mct+ny' = \frac{at+m}{ct+n} se integra diretamente. Suponhamos daqui em diante a0a \neq 0 e b0b \neq 0, e escrevamos λ=c/a\lambda = c/a.)

    A conta. Multiplicando numerador e denominador por aa,

    dvdt=a+ab(v+m)cv+an=a[(b+c)v+an+bm]cv+an.\frac{dv}{dt} = a + \frac{ab(v+m)}{cv + an} = \frac{a\bigl[(b+c)v + an + bm\bigr]}{cv + an}.

    Chamando w=(b+c)v+an+bmw = (b+c)v + an + bm — de modo que w=(b+c)vw' = (b+c)v' e cv+an=cw+b(ancm)b+ccv + an = \dfrac{cw + b(an - cm)}{b+c} — a equação vira

    cw+b(ancm)wdw=a(b+c)2dt,\frac{cw + b(an-cm)}{w}\,dw = a(b+c)^2\,dt,

    e integrando,

    cw+b(ancm)lnw=a(b+c)2t+const.c\,w + b(an - cm)\ln|w| = a(b+c)^2\,t + \text{const}.

    Simplificação. Substituindo ww de volta, cw=c(b+c)(at+by)+c(an+bm)cw = c(b+c)(at+by) + c(an+bm), e o termo em tt se combina com ele:

    a(b+c)2tc(b+c)(at+by)=b(b+c)(atcy).a(b+c)^2 t - c(b+c)(at+by) = b(b+c)(at - cy).

    Absorvendo as constantes e dividindo por bb:

      (ancm)ln(b+c)(at+by)+an+bm=(b+c)(atcy)+const  \boxed{\; (an - cm)\,\ln\bigl|(b+c)(at+by) + an + bm\bigr| = (b+c)(at - cy) + \text{const}\;}

    ou, exponenciando,

    (b+c)(at+by)+an+bm=kexp ⁣[(b+c)(atcy)ancm].\bigl|(b+c)(at+by) + an + bm\bigr| = k\,\exp\!\left[\frac{(b+c)(at - cy)}{an - cm}\right].

    Os dois subcasos que a fórmula não cobre.

    • Se an=cman = cm, então ct+dy+n=ca(at+by+m)ct+dy+n = \frac{c}{a}(at+by+m): o denominador é múltiplo do numerador, ya/cy' \equiv a/c é constante e as soluções são retas.
    • Se b+c=0b + c = 0, então ww é constante e a separação fica ainda mais simples: (cv+an)dv=a(an+bm)dt(cv + an)\,dv = a(an+bm)\,dt, que integra num polinômio de segundo grau em vv, sem logaritmo nenhum. É o caso do exercício 23.
  3. intermediáriotranslação seguida de homogêneaBraun §1.4, nº 22

    Encontre a solução geral de

    (1+t2y)+(4t3y6)dydt=0.(1 + t - 2y) + (4t - 3y - 6)\frac{dy}{dt} = 0.
    Dica

    Isole yy' para reconhecer o formato do exercício 21 e teste adbcad-bc. Dá diferente de zero: transladar a origem para a interseção das duas retas e seguir com V=Y/TV = Y/T.

    Resolução

    Forma padrão.

    dydt=1+t2y4t3y6=2yt14t3y6,\frac{dy}{dt} = -\frac{1 + t - 2y}{4t - 3y - 6} = \frac{2y - t - 1}{4t - 3y - 6},

    isto é, a=1a = -1, b=2b = 2, m=1m = -1, c=4c = 4, d=3d = -3, n=6n = -6. Então

    adbc=(1)(3)(2)(4)=50,ad - bc = (-1)(-3) - (2)(4) = -5 \neq 0,

    e estamos no caso genérico do exercício 21: as retas se cruzam.

    Translação. Resolvendo h+2k1=0-h + 2k - 1 = 0 e 4h3k6=04h - 3k - 6 = 0 obtém-se h=3h = 3, k=2k = 2. Com T=t3T = t - 3 e Y=y2Y = y - 2,

    dYdT=2YT4T3Y.\frac{dY}{dT} = \frac{2Y - T}{4T - 3Y}.

    Homogênea. Com V=Y/TV = Y/T e Y=V+TVY' = V + TV',

    TdVdT=2V143VV=2V14V+3V243V=3V22V143V=(3V+1)(V1)43V.T\frac{dV}{dT} = \frac{2V - 1}{4 - 3V} - V = \frac{2V - 1 - 4V + 3V^2}{4 - 3V} = \frac{3V^2 - 2V - 1}{4 - 3V} = \frac{(3V+1)(V-1)}{4 - 3V}.

    Frações parciais. De 43V=A(V1)+B(3V+1)4 - 3V = A(V-1) + B(3V+1), avaliando em V=1V = 1 e em V=13V = -\frac13, vem B=14B = \frac14 e A=154A = -\frac{15}{4}. Logo

     ⁣[15/43V+1+1/4V1]dV=dTT54ln3V+1+14lnV1=lnT+c.\int\!\left[\frac{-15/4}{3V+1} + \frac{1/4}{V-1}\right]dV = \int\frac{dT}{T} \quad\Longrightarrow\quad -\frac{5}{4}\ln|3V+1| + \frac{1}{4}\ln|V-1| = \ln|T| + c.

    Multiplicando por 44 e exponenciando,

    V1(3V+1)5=CT4.\frac{V-1}{(3V+1)^5} = C\,T^4.

    Volta a TT e YY. Com V=Y/TV = Y/T, temos V1=YTTV - 1 = \frac{Y-T}{T} e (3V+1)5=(3Y+T)5T5(3V+1)^5 = \frac{(3Y+T)^5}{T^5}, de modo que o lado esquerdo é (YT)T4(3Y+T)5\frac{(Y-T)\,T^4}{(3Y+T)^5} — e o fator T4T^4 cancela com o da direita:

    YT=C(T+3Y)5.Y - T = C\,(T + 3Y)^5.

    Volta às variáveis originais. Com T=t3T = t-3 e Y=y2Y = y-2: YT=yt+1Y - T = y - t + 1 e T+3Y=t+3y9T + 3Y = t + 3y - 9. Portanto

      yt+1=C(t+3y9)5  \boxed{\;y - t + 1 = C\,(t + 3y - 9)^5\;}

    Verificação. Escrevendo u=t+3y9u = t+3y-9 e p=yt+1p = y-t+1, derivar p=Cu5p = Cu^5p=5Cu4u=5puup' = 5Cu^4u' = \frac{5p}{u}u', ou seja (y1)u=5p(1+3y)(y'-1)u = 5p\,(1+3y'), e daí y(u15p)=u+5py'(u - 15p) = u + 5p. Como

    u15p=4(4t3y6),u+5p=4(2yt1),u - 15p = 4(4t - 3y - 6), \qquad u + 5p = 4(2y - t - 1),

    sobra y=2yt14t3y6y' = \dfrac{2y-t-1}{4t-3y-6}. ✓

    As duas soluções que a divisão excluiu. Ao dividir por (3V+1)(V1)(3V+1)(V-1) supusemos V1V \neq 1 e V13V \neq -\frac13, isto é, descartamos as duas retas que passam pelo centro (3,2)(3,2) com essas inclinações:

    • V=1V = 1: y=t1y = t - 1. É solução — substituindo, y=1y' = 1 e o lado direito vale t3t3=1\frac{t-3}{t-3} = 1 —, e volta à família com C=0C = 0.
    • V=13V = -\frac13: t+3y9=0t + 3y - 9 = 0, ou y=9t3y = \frac{9-t}{3}. Também é solução (y=13y' = -\frac13 dos dois lados), mas nenhum CC finito a produz. Ela é o caso limite CC \to \infty, e para incluí-la basta escrever a resposta na forma recíproca
    (t+3y9)5=K(yt+1),KR,(t + 3y - 9)^5 = K\,(y - t + 1), \qquad K \in \mathbb{R},

    com K=0K = 0 dando exatamente essa reta. É a mesma situação do §1.4 nº 1 (Lista 4), em que a forma explícita perdia a solução y=1/ty = -1/t: o defeito é do passo algébrico, não da equação.

    Solução geral.

    yt+1=C(t+3y9)5,CR,y - t + 1 = C\,(t + 3y - 9)^5, \qquad C \in \mathbb{R},

    mais a reta t+3y9=0t + 3y - 9 = 0. Todas as curvas passam pelo ponto (3,2)(3,2) — o único ponto do plano onde a equação toma a forma 0/00/0.

  4. intermediárioretas paralelas: o caso degeneradoBraun §1.4, nº 23

    Encontre a solução geral de

    (t+2y+3)+(2t+4y1)dydt=0.(t + 2y + 3) + (2t + 4y - 1)\frac{dy}{dt} = 0.
    Dica

    Compare os dois parênteses: um é quase o dobro do outro. Teste adbcad-bc antes de tentar transladar — e, se der zero, use v=t+2yv = t + 2y.

    Resolução

    Por que a translação não serve. Na forma padrão,

    dydt=t2y32t+4y1,\frac{dy}{dt} = \frac{-t - 2y - 3}{2t + 4y - 1},

    temos a=1a = -1, b=2b = -2, c=2c = 2, d=4d = 4, e

    adbc=(1)(4)(2)(2)=4+4=0.ad - bc = (-1)(4) - (-2)(2) = -4 + 4 = 0.

    Estamos no caso degenerado do exercício 21(b): as retas t+2y+3=0t + 2y + 3 = 0 e 2t+4y1=02t + 4y - 1 = 0 são paralelas — a segunda é a primeira multiplicada por 22, a menos do termo constante — e não existe origem que anule as duas constantes de uma vez. Note também que b+c=0b + c = 0, o subcaso sem logaritmo.

    A substituição certa. Ambos os parênteses dependem de tt e yy só através de v=t+2yv = t + 2y: o primeiro é v+3v + 3, o segundo é 2v12v - 1. Com v=1+2yv' = 1 + 2y', isto é, y=v12y' = \frac{v'-1}{2}, a equação original vira

    (v+3)+(2v1)v12=0.(v + 3) + (2v - 1)\frac{v' - 1}{2} = 0.

    Multiplicando por 22:

    2v+6+(2v1)v(2v1)=0(2v1)dvdt+7=0.2v + 6 + (2v-1)v' - (2v - 1) = 0 \quad\Longrightarrow\quad (2v - 1)\frac{dv}{dt} + 7 = 0.

    Os termos em vv fora da derivada se cancelaram — é o que b+c=0b + c = 0 significa — e sobrou uma equação separável de integração imediata.

    Integração.

    (2v1)dv=7dtv2v=c7t.\int (2v - 1)\,dv = -\int 7\,dt \quad\Longrightarrow\quad v^2 - v = c - 7t.

    Volta às variáveis originais.

      (t+2y)2(t+2y)=c7t  \boxed{\;(t + 2y)^2 - (t + 2y) = c - 7t\;}

    que é a resposta do livro. Esta é uma solução em forma implícita, e é assim que se deixa: resolver para yy obrigaria a escolher um ramo da raiz.

    Verificação. Derivando implicitamente com v=t+2yv = t+2y: 2vvv=72vv' - v' = -7, ou (2v1)v=7(2v-1)v' = -7, com v=1+2yv' = 1 + 2y'. Substituindo, (2v1)(1+2y)=7(2v-1)(1+2y') = -7, e como 2v1=2t+4y12v - 1 = 2t+4y-1 e (2v1)+7=2t+4y+6=2(t+2y+3)(2v-1) + 7 = 2t + 4y + 6 = 2(t+2y+3), vem

    2(2t+4y1)y=7(2v1)=2(t+2y+3),2(2t+4y-1)y' = -7 - (2v-1) = -2(t+2y+3),

    isto é, (t+2y+3)+(2t+4y1)y=0(t+2y+3) + (2t+4y-1)y' = 0. ✓

    O que essas curvas são, e onde cada solução vive. Escrevendo a relação como

    t=c+vv27,t = \frac{c + v - v^2}{7},

    vê-se que, para cada cc, tt é uma parábola em vv com máximo em v=12v = \frac12, no instante

    t=c+147.t^{*} = \frac{c + \frac14}{7}.

    Cada curva de nível existe, portanto, só para ttt \leq t^{*}, e tem dois ramos — um com v>12v > \frac12, outro com v<12v < \frac12 — que se encontram nesse ponto de retorno. Cada ramo é uma solução, no intervalo (,t)(-\infty,\,t^{*}).

    O ponto de encontro é justamente onde 2t+4y1=02t + 4y - 1 = 0, a reta em que o coeficiente de yy' se anula e a equação deixa de estar na forma normal: de (2v1)v=7(2v-1)v' = -7 vem vv' \to \infty, e portanto yy' \to \infty, quando v12v \to \frac12. A curva chega ali com tangente vertical e para — o mesmo fenômeno do §1.4 nº 6 e nº 9 (Lista 4), agora causado pela reta proibida da equação.

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