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Aula 01

Solução geral de equações lineares

Os sete primeiros problemas de §1.2 — o fator integrante aplicado até o ponto em que a primitiva deixa de ser elementar e a resposta passa a ser escrita com uma integral.

Exercícios
7
Enunciados
Braun §1.2, p. 9-10 (PDF: p. 25–26)

Os sete enunciados pedem a mesma coisa — a solução geral — e todos cedem ao mesmo método. O que muda de um para outro é o que acontece na última integral.

A convenção usada aqui. Toda integração é feita entre um ponto base t0t_0 e o ponto corrente tt, e não como primitiva indefinida. Multiplicada por μ(t)=exp(t0ta(s)ds)\mu(t) = \exp\left(\int_{t_0}^{t} a(s)\,ds\right), a equação vira ddt[μy]=μb\frac{d}{dt}[\mu y] = \mu b, e integrar dos dois lados de t0t_0 a tt

μ(t)y(t)μ(t0)y(t0)=t0tμ(s)b(s)ds.\mu(t)y(t) - \mu(t_0)y(t_0) = \int_{t_0}^{t}\mu(s)b(s)\,ds.

Duas vantagens sobre o "+C+\,C" da primitiva indefinida. A constante arbitrária deixa de ser um símbolo solto e passa a ser um valor, y(t0)y(t_0) — o que já deixa o PVI resolvido de graça, como se verá na lista da aula 02. E o método continua valendo quando a primitiva não existe em forma elementar, porque o Teorema Fundamental do Cálculo garante a integral definida de qualquer função contínua, tenha ela primitiva com nome ou não.

O ponto base é livre: trocar t0t_0 multiplica μ\mu por uma constante positiva, que se cancela na divisão final. Nos exercícios abaixo ele é escolhido onde a conta fica mais limpa — quase sempre t0=0t_0 = 0.

Do 5º em diante aparece o ponto que a seção quer ensinar: uma equação linear está resolvida quando se chega à igualdade acima, mesmo que a integral não se escreva com funções elementares. Recusar a resposta em forma de integral seria confundir “resolver” com “achar fórmula fechada”.

O enunciado é do livro; a resolução é nossa. Tente antes de abrir — e confira as respostas na p. 557 do Braun.

  1. básicohomogênea de coeficiente periódicoBraun §1.2, nº 1

    Encontre a solução geral de

    dydt+ycost=0.\frac{dy}{dt} + y\cos t = 0.
    Dica

    Homogênea (b0b \equiv 0): divida por yy, reconheça ddtlny\frac{d}{dt}\ln|y| à esquerda e integre de t0t_0 a tt.

    Resolução

    Na forma padrão, a(t)=costa(t) = \cos t e b(t)=0b(t) = 0. Dividindo por yy — o que supõe y0y \neq 0 — o lado esquerdo é uma derivada logarítmica:

    ddtlny(t)=cost.\frac{d}{dt}\ln|y(t)| = -\cos t.

    Integrando de t0t_0 a tt:

    lny(t)lny(t0)=t0tcossds=(sintsint0),\ln|y(t)| - \ln|y(t_0)| = -\int_{t_0}^{t}\cos s\,ds = -(\sin t - \sin t_0),

    e exponenciando,

    y(t)=y(t0)exp(sint0sint).y(t) = y(t_0)\exp\bigl(\sin t_0 - \sin t\bigr).

    Coletando a constante. O fator y(t0)exp(sint0)y(t_0)\exp(\sin t_0) não depende de tt: é um número, e à medida que y(t0)y(t_0) percorre os reais ele percorre os reais também. Chamando-o de CC,

    y(t)=Cexp(sint).y(t) = C\exp(-\sin t).

    Verificação. y=Ccostexp(sint)=ycosty' = -C\cos t \exp(-\sin t) = -y\cos t. ✓

    Vale reparar em duas coisas. A solução é periódica de período 2π2\pi, oscilando entre Cexp(1)C\exp(-1) e Cexp(1)C\exp(1) — nada aqui cresce nem decai a longo prazo, porque 02πcostdt=0\int_0^{2\pi}\cos t\,dt = 0. E, para C0C \neq 0, ela nunca se anula: uma exponencial é sempre positiva. Isso não é acidente deste exercício, e sim propriedade de toda equação linear homogênea — solução que toca o zero em algum instante é identicamente nula, o que também explica por que a divisão inicial por yy não custou nenhuma solução além dessa.

    Solução geral.

    y(t)=Cexp(sint),CR.y(t) = C\exp(-\sin t), \qquad C \in \mathbb{R}.

    O valor C=0C = 0 devolve a solução nula, perdida na divisão por yy — a família acima é, portanto, o conjunto completo das soluções.

  2. intermediárioprimitiva não elementarBraun §1.2, nº 2

    Encontre a solução geral de

    dydt+ytsint=0.\frac{dy}{dt} + y\sqrt{t}\,\sin t = 0.
    Dica

    Mesma receita do anterior. A diferença aparece na hora de calcular ssinsds\int\sqrt{s}\,\sin s\,ds — e a saída é não calcular: deixe a integral definida onde está.

    Resolução

    Novamente homogênea, com a(t)=tsinta(t) = \sqrt{t}\,\sin t. O t\sqrt{t} do enunciado restringe o domínio a t0t \geq 0, então o ponto base natural é t0=0t_0 = 0. Integrando ddtlny=tsint\frac{d}{dt}\ln|y| = -\sqrt{t}\sin t de 00 a tt:

    lny(t)lny(0)=0tssinsdsy(t)=Cexp(0tssinsds),\ln|y(t)| - \ln|y(0)| = -\int_0^t \sqrt{s}\,\sin s\,ds \quad\Longrightarrow\quad y(t) = C\exp\left(-\int_0^t \sqrt{s}\,\sin s\,ds\right),

    com C=y(0)C = y(0).

    E a integral fica assim mesmo. ssinsds\int \sqrt{s}\,\sin s\,ds não se escreve com funções elementares, e é exatamente aqui que a convenção da integral definida deixa de ser preferência e vira necessidade: pelo Teorema Fundamental do Cálculo, a função

    A(t)=0tssinsdsA(t) = \int_0^t \sqrt{s}\,\sin s\,ds

    existe e é derivável em t0t \geq 0, com A(t)=tsintA'(t) = \sqrt{t}\,\sin t — e é só disso que a resposta precisa.

    Verificação. Pela regra da cadeia e pelo TFC, y=A(t)Cexp(A(t))=tsint  yy' = -A'(t)\,C\exp(-A(t)) = -\sqrt{t}\,\sin t\;y. ✓

    Trocar o limite inferior por outro t00t_0 \geq 0 muda AA por uma constante, o que só reabsorve o valor de CC — a solução geral é a mesma.

    Solução geral.

    y(t)=Cexp(0tssinsds),CR,t0.y(t) = C\exp\left(-\int_0^t \sqrt{s}\,\sin s\,ds\right), \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \geq 0.

    A integral 0tssinsds\int_0^t \sqrt{s}\,\sin s\,ds não tem primitiva elementar e fica indicada assim mesmo: ela é uma função perfeitamente definida de tt, e a resposta está completa nesta forma.

  3. básicofator integrante logarítmicoBraun §1.2, nº 3

    Encontre a solução geral de

    dydt+2t1+t2y=11+t2.\frac{dy}{dt} + \frac{2t}{1+t^2}\,y = \frac{1}{1+t^2}.
    Dica

    O numerador 2t2t é exatamente a derivada do denominador — a integral de aa é um logaritmo, e a exponencial o desfaz. Tome t0=0t_0 = 0, que zera esse logaritmo.

    Resolução

    Fator integrante. Com t0=0t_0 = 0,

    0t2s1+s2ds=ln(1+t2)ln1=ln(1+t2)μ(t)=1+t2.\int_0^t \frac{2s}{1+s^2}\,ds = \ln(1+t^2) - \ln 1 = \ln(1+t^2) \quad\Longrightarrow\quad \mu(t) = 1+t^2.

    Não é preciso módulo no logaritmo: 1+s2>01+s^2 > 0. E note o que a escolha t0=0t_0 = 0 comprou: μ(0)=1\mu(0) = 1, o que vai simplificar a próxima linha.

    Integrando de 00 a tt. Multiplicada por μ\mu, a equação é ddt[(1+t2)y]=1\frac{d}{dt}\bigl[(1+t^2)y\bigr] = 1, e portanto

    (1+t2)y(t)(1+02)y(0)y(0)=0t1ds=t.(1+t^2)y(t) - \underbrace{(1+0^2)y(0)}_{y(0)} = \int_0^t 1\,ds = t.

    Escrevendo C=y(0)C = y(0),

    y(t)=t+C1+t2.y(t) = \frac{t + C}{1+t^2}.

    Verificação. Com u=t+Cu = t+C e v=1+t2v = 1+t^2,

    y=(1+t2)(t+C)(2t)(1+t2)2=1+t22t22Ct(1+t2)2,y' = \frac{(1+t^2) - (t+C)(2t)}{(1+t^2)^2} = \frac{1 + t^2 - 2t^2 - 2Ct}{(1+t^2)^2},

    e somando 2t1+t2y=2t(t+C)(1+t2)2=2t2+2Ct(1+t2)2\frac{2t}{1+t^2}y = \frac{2t(t+C)}{(1+t^2)^2} = \frac{2t^2+2Ct}{(1+t^2)^2} sobra 1+t2(1+t2)2=11+t2\frac{1+t^2}{(1+t^2)^2} = \frac{1}{1+t^2}. ✓

    Toda solução tende a 00 quando t±t \to \pm\infty, e a diferença entre duas delas é C1C21+t2\frac{C_1 - C_2}{1+t^2}, que também vai a zero: as soluções se aproximam umas das outras. Compare com o exercício 1, onde a diferença entre duas soluções oscila para sempre.

    Solução geral.

    y(t)=t+C1+t2,CR,tR.y(t) = \frac{t + C}{1+t^2}, \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \in \mathbb{R}.
  4. intermediáriointegração por partesBraun §1.2, nº 4

    Encontre a solução geral de

    dydt+y=texp(t).\frac{dy}{dt} + y = t\exp(t).
    Dica

    μ(t)=exp(t)\mu(t) = \exp(t) com t0=0t_0 = 0, e à direita sobra 0tsexp(2s)ds\int_0^t s\exp(2s)\,ds — integração por partes, agora com limites.

    Resolução

    Fator integrante. Com a1a \equiv 1 e t0=0t_0 = 0: μ(t)=exp(0t1ds)=exp(t)\mu(t) = \exp\left(\int_0^t 1\,ds\right) = \exp(t), e μ(0)=1\mu(0) = 1. A equação multiplicada por μ\mu é

    ddt[exp(t)y]=exp(t)texp(t)=texp(2t).\frac{d}{dt}\bigl[\exp(t)\,y\bigr] = \exp(t)\cdot t\exp(t) = t\exp(2t).

    Integrando de 00 a tt.

    exp(t)y(t)y(0)=0tsexp(2s)ds.\exp(t)y(t) - y(0) = \int_0^t s\exp(2s)\,ds.

    Por partes, com u=su = s e dv=exp(2s)dsdv = \exp(2s)\,ds:

    0tsexp(2s)ds=[s2exp(2s)]0t120texp(2s)ds=t2exp(2t)exp(2t)14.\int_0^t s\exp(2s)\,ds = \left[\frac{s}{2}\exp(2s)\right]_0^t - \frac{1}{2}\int_0^t \exp(2s)\,ds = \frac{t}{2}\exp(2t) - \frac{\exp(2t) - 1}{4}.

    Logo

    exp(t)y(t)=2t14exp(2t)+y(0)+14=:C,\exp(t)y(t) = \frac{2t-1}{4}\exp(2t) + \underbrace{y(0) + \frac{1}{4}}_{=:\,C},

    e dividindo por exp(t)\exp(t):

    y(t)=2t14exp(t)+Cexp(t).y(t) = \frac{2t-1}{4}\exp(t) + C\exp(-t).

    Verificação. Derivando, y=24exp(t)+2t14exp(t)Cexp(t)y' = \frac{2}{4}\exp(t) + \frac{2t-1}{4}\exp(t) - C\exp(-t). Somando yy, os termos em CC se cancelam e sobra

    (12+2t14+2t14)exp(t)=(12+t12)exp(t)=texp(t).  \left(\frac{1}{2} + \frac{2t-1}{4} + \frac{2t-1}{4}\right)\exp(t) = \left(\frac{1}{2} + t - \frac{1}{2}\right)\exp(t) = t\exp(t). \;\checkmark

    A estrutura da resposta é a de sempre: uma solução particular da não homogênea, 2t14exp(t)\frac{2t-1}{4}\exp(t), somada à solução geral da homogênea, Cexp(t)C\exp(-t). Note que a constante 14\frac14 vinda do limite inferior da integral foi absorvida por CC — mais um sinal de que a escolha de t0t_0 não altera a família de soluções.

    Solução geral.

    y(t)=2t14exp(t)+Cexp(t),CR,tR.y(t) = \frac{2t-1}{4}\exp(t) + C\exp(-t), \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \in \mathbb{R}.
  5. intermediárioresposta em forma de integralBraun §1.2, nº 5

    Encontre a solução geral de

    dydt+t2y=1.\frac{dy}{dt} + t^2 y = 1.
    Dica

    O fator integrante sai fácil. O obstáculo é exp(s3/3)ds\int\exp(s^3/3)\,ds — que não tem primitiva elementar, e nem por isso impede a resposta.

    Resolução

    Fator integrante. Com t0=0t_0 = 0,

    0ts2ds=t33μ(t)=exp ⁣(t33),μ(0)=1,\int_0^t s^2\,ds = \frac{t^3}{3} \quad\Longrightarrow\quad \mu(t) = \exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right), \qquad \mu(0) = 1,

    e a equação vira

    ddt[exp ⁣(t33)y]=exp ⁣(t33).\frac{d}{dt}\left[\exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right)y\right] = \exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right).

    Integrando de 00 a tt.

    exp ⁣(t33)y(t)y(0)=0texp ⁣(s33)ds,\exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right)y(t) - y(0) = \int_0^t \exp\!\left(\frac{s^3}{3}\right)ds,

    isto é, com C=y(0)C = y(0),

    y(t)=exp ⁣(t33)[C+0texp ⁣(s33)ds].y(t) = \exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right)\left[C + \int_0^t \exp\!\left(\frac{s^3}{3}\right)ds\right].

    Aqui a integral não se escreve com funções elementares — é parente da que define a função erro. E aqui a convenção paga o que prometeu: com primitiva indefinida seria preciso dizer “seja FF uma primitiva de exp(s3/3)\exp(s^3/3)”, sem poder exibir nenhuma; com a integral definida, a resposta está escrita.

    Ela é tão explícita quanto qualquer outra: dá para avaliar numericamente em qualquer tt, derivar, estudar limites. O que não dá é escrevê-la com as funções que têm nome — e isso é uma limitação do nosso vocabulário de funções, não do método.

    Compare com o exercício seguinte, que tem o mesmo a(t)a(t).

    Solução geral.

    y(t)=exp ⁣(t33)[C+0texp ⁣(s33)ds],CR,tR.y(t) = \exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right) \left[C + \int_0^t \exp\!\left(\frac{s^3}{3}\right)ds\right], \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \in \mathbb{R}.

    A integral 0texp(s3/3)ds\int_0^t \exp(s^3/3)\,ds não tem primitiva elementar; ela permanece indicada na resposta, e isso não a torna menos explícita.

  6. básicoo lado direito decideBraun §1.2, nº 6

    Encontre a solução geral de

    dydt+t2y=t2.\frac{dy}{dt} + t^2 y = t^2.
    Dica

    Mesmo fator integrante do anterior — mas agora o integrando à direita é a derivada de algo conhecido. Atalho alternativo: procure primeiro a solução de equilíbrio.

    Resolução

    Com o mesmo μ(t)=exp(t3/3)\mu(t) = \exp(t^3/3) e μ(0)=1\mu(0) = 1:

    ddt[exp ⁣(t33)y]=t2exp ⁣(t33).\frac{d}{dt}\left[\exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right)y\right] = t^2\exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right).

    Integrando de 00 a tt. Desta vez o integrando é uma derivada conhecida, ddsexp(s3/3)\frac{d}{ds}\exp(s^3/3), e a integral definida se avalia:

    exp ⁣(t33)y(t)y(0)=0ts2exp ⁣(s33)ds=[exp ⁣(s33)]0t=exp ⁣(t33)1.\exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right)y(t) - y(0) = \int_0^t s^2\exp\!\left(\frac{s^3}{3}\right)ds = \left[\exp\!\left(\frac{s^3}{3}\right)\right]_0^t = \exp\!\left(\frac{t^3}{3}\right) - 1.

    Logo exp(t3/3)y=exp(t3/3)+(y(0)1)\exp(t^3/3)\,y = \exp(t^3/3) + \bigl(y(0) - 1\bigr), ou seja, com C=y(0)1C = y(0) - 1,

    y(t)=1+Cexp ⁣(t33).y(t) = 1 + C\exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right).

    Pelo atalho. Fazendo y=0y' = 0 na equação original, t2y=t2t^2y = t^2y1y \equiv 1: uma solução constante. Somando a ela a solução geral da homogênea, Cexp(t3/3)C\exp(-t^3/3), chega-se ao mesmo resultado sem calcular integral nenhuma.

    O contraste com o exercício 5. As duas equações têm o mesmo coeficiente a(t)=t2a(t) = t^2 e, portanto, o mesmo fator integrante. Só o lado direito mudou — e com ele a diferença entre uma resposta em funções elementares e uma resposta escrita com integral. Quem decide se a conta “fecha” é bb, não aa.

    Solução geral.

    y(t)=1+Cexp ⁣(t33),CR,tR.y(t) = 1 + C\exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right), \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \in \mathbb{R}.
  7. avançadoreorganizar antes de identificarBraun §1.2, nº 7

    Encontre a solução geral de

    dydt+t1+t2y=1t31+t4y.\frac{dy}{dt} + \frac{t}{1+t^2}\,y = 1 - \frac{t^3}{1+t^4}\,y.
    Dica

    Ainda é linear — o yy aparece sozinho nos dois lados. Junte os dois termos em yy à esquerda antes de tentar identificar a(t)a(t).

    Resolução

    Forma padrão. Passando o termo em yy para a esquerda:

    dydt+(t1+t2+t31+t4)a(t)y=1.\frac{dy}{dt} + \underbrace{\left(\frac{t}{1+t^2} + \frac{t^3}{1+t^4}\right)}_{a(t)} y = 1.

    Fator integrante. As duas parcelas são derivadas logarítmicas — em cada uma, o numerador é a derivada do denominador a menos de constante. Com t0=0t_0 = 0, os dois logaritmos se anulam no limite inferior:

    0ts1+s2ds=12ln(1+t2),0ts31+s4ds=14ln(1+t4),\int_0^t \frac{s}{1+s^2}\,ds = \frac{1}{2}\ln(1+t^2), \qquad \int_0^t \frac{s^3}{1+s^4}\,ds = \frac{1}{4}\ln(1+t^4),

    de modo que

    μ(t)=exp[12ln(1+t2)+14ln(1+t4)]=(1+t2)1/2(1+t4)1/4,μ(0)=1.\mu(t) = \exp\left[\frac{1}{2}\ln(1+t^2) + \frac{1}{4}\ln(1+t^4)\right] = (1+t^2)^{1/2}\,(1+t^4)^{1/4}, \qquad \mu(0) = 1.

    Integrando de 00 a tt. Com b1b \equiv 1, ddt[μ(t)y]=μ(t)\frac{d}{dt}\bigl[\mu(t)y\bigr] = \mu(t), e portanto

    μ(t)y(t)y(0)=0tμ(s)dsy(t)=C+0t(1+s2)1/2(1+s4)1/4ds(1+t2)1/2(1+t4)1/4,\mu(t)y(t) - y(0) = \int_0^t \mu(s)\,ds \quad\Longrightarrow\quad y(t) = \frac{\displaystyle C + \int_0^t (1+s^2)^{1/2}(1+s^4)^{1/4}\,ds}{(1+t^2)^{1/2}(1+t^4)^{1/4}},

    com C=y(0)C = y(0). De novo uma integral sem primitiva elementar, e de novo isso não é problema: μ\mu é contínuo e positivo em toda a reta, então a solução está definida para todo tt.

    Por que reorganizar era obrigatório. Se alguém lesse a equação como está escrita e tomasse a(t)=t1+t2a(t) = \frac{t}{1+t^2}, o fator integrante sairia errado — e o erro não apareceria em nenhuma passagem seguinte, só no resultado final. A forma padrão y+a(t)y=b(t)y' + a(t)y = b(t) não é burocracia: é a única disposição em que os símbolos aa e bb significam o que o método supõe que signifiquem.

    Solução geral.

    y(t)=C+0t(1+s2)1/2(1+s4)1/4ds(1+t2)1/2(1+t4)1/4,CR,tR.y(t) = \frac{\displaystyle C + \int_0^t (1+s^2)^{1/2}(1+s^4)^{1/4}\,ds} {(1+t^2)^{1/2}(1+t^4)^{1/4}}, \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \in \mathbb{R}.

    A integral 0t(1+s2)1/2(1+s4)1/4ds\int_0^t (1+s^2)^{1/2}(1+s^4)^{1/4}\,ds não se exprime com funções elementares e fica indicada na resposta.

Plataforma de estudo de matemática e suas aplicações. As fontes de cada tópico ficam listadas ao fim da respectiva página.